Artigo de Julho 2014
               Networking: tem que gostar

 

 

Por Gabriel Jacintho 

 

 

 

Em todas as áreas existem grandes profissionais que, embora sejam tecnicamente impecáveis, são fracos em relacionamento, apresentam dificuldades em discussões comerciais, morrem de medo de se aproximar das pessoas, etc. Por outro lado, sempre temos também aquele vendedor inato, que vende até aquilo que sabe que não vai entregar.

 

Talvez aqui resida o sucesso de uma boa sociedade: uns executam, outros vendem, outros administram. Enfim, uma divisão do trabalho de acordo com a aptidão de cada indivíduo. 

 

Vender serviços de contabilidade no Brasil sempre foi um desafio e entendo que esta realidade não mudou. Continuamos sendo pouco valorizados, muitas vezes chamados de “guarda-livros”, ou seja, dão-nos pouco respeito e consideração. Até agora sou obrigado a registrar que somos os calculadores de impostos.

 

 

 Aproveito esta deixa para registrar que existem muitas empresas pagando imposto sem ter lucros, por falta de registros contábeis. Falta nossa, não é? Mas, voltemos ao networking!  Enquanto os clubes sociais normalmente não veem com bons olhos as pessoas que se aproximam com um viés muito ou mais comercial, por não ser este o seu propósito, inúmeras outras agremiações prestam-se a este fim. 

 

Dependendo do perfil do profissional e de seus clientes (target), existem as câmaras de comércio de quase todas as nacionalidades, as agências de fomento comercial, as associações profissionais, etc. Todos estes grupos e diversos outros mais facilitam a aproximação entre empresários e a apresentação de suas empresas.

 

É importantíssimo registrar que esta atividade demanda muito tempo e esforço. Não adianta nada fazer parte de cinco câmaras de comércio, por exemplo, e não frequentálas por falta de tempo. Sobretudo por não se tratar de um investimento barato. 

 

O trabalho de networking exige tanto a escolha da pessoa com o perfil correto, que se sinta bem nesta linha de frente, como muito planejamento antecipado. Hoje, em nossa empresa, a divisão dos eventos por interesse, datas e quem irá participar é definida logo no começo do mês. Nunca vou me esquecer de um famoso happy hour, promovido por duas Câmaras de Comércio, do qual resolvi participar depois de um dia super cansativo. Logo na entrada já me assustei com as mais de 200 pessoas presentes e, juro, meu corpo começou a doer. Confesso que desisti e fui para casa: não tinha condições de sorrir ou ser simpático àquela altura do dia. Entretanto, as coisas estão ficando diferentes. Atualmente existem clubes cujo propósito principal é fazer negócios. Sem vergonha de vender o seu produto.

 

Cada clube tem um único representante de cada profissão, não pode existir competição dentro do grupo. O principal objetivo é um ajudar ao outro. E tem mais: cada grupo tem data para encontro, normalmente pela manhã, com hora para começar e para acabar. Existem metas de resultado de negócios realizados no grupo, número de vistas mínimo que deverão ser realizadas, enfim, um planejamento para que haja uma total integração entre o grupo e a imprescindível necessidade de trazer convidados, ou seja, crescer.

 

 

Por último, registro um fato que passei a identificar. É essencial passar este conhecimento, os nossos contatos, o nosso relacionamento, para nossos sucessores.

A cada almoço de que participo sou apresentado para um profissional mais jovem, que deverá assumir uma posição mesmo que não seja em um futuro tão próximo. Esta

preocupação está evidente.Em resumo: networking não é fácil, demanda tempo, habilidade, gosto e é muito caro, mas é indispensável para o nosso negócio.